quarta-feira, 18 de março de 2015

MORADOR DA RUA BENTO LISBOA*

Quem dera fosse fofo,
talvez tivesse meu cafofo.
Como pelo não tenho,
peno as penas das minhas penas.

Pois todos tão fofos com os fofos,
ignoram o meu desconforto.
Frango que levam ao forno,
da vida lhe tiram o sopro.

Se nem mãe eu conheço,
não sabem o quanto padeço.
A caminho do fim,
vou no monte feito capim.

Chegando, quase morto,
à gaiola da Bento Lisboa,
perco a fé de uma vida boa.

E assim, junto com todos,
se a morte não vem logo,
não sabem o quanto padeço,
pois todos tão fofos com os fofos,
ignoram o nosso desconforto.


(*Endereço de um aviário no Rio de Janeiro onde são vendidas aves assassinadas na hora).

NATUREZA REAL

É muito linda a natureza!
Exclama a princesa.
Preservá-la é preciso,
confirma Sua Alteza.
Mas na hora da mesa,
vai um peixinho à milanesa?

BICHO HOMEM

Ei bicho, que pensa!
Pare e pense de novo,
no que tem feito esse povo.
Bicho nunca foi lixo,
nem tão pouco um capricho


Viva a sua vida de bicho,
sem virar um carrapicho
na costela de outros bichos.
Viva a sua vida de bicho,
deixando em paz os outros bichos


Por: Rosangela M Peixoto